a gente decidiu juntos.
com quase quarenta,
sem script pronto
e com mais bagagem que certezas.
não era sobre abandonar o certo,
era sobre dar espaço pro possível.
era sobre família,
não só como estrutura,
mas como escolha.
e a gente escolheu.
com medo,
com amor,
com uma coragem
que só quem vive de verdade
entende.
não era impulso — era fé.
na vida que podia ser
se a gente topasse sonhar juntos.
e topamos.
decidimos construir algo
que não se mede em cifras,
mas em olhares partilhados,
silêncios compreendidos.
um futuro que respirava
no ritmo de uma criança por vir.
quando os sonhos guiam,
a energia transborda.
seguimos… você, sendo o chão firme,
eu, arriscando construir um teto novo
feito de propósito e sonho.
um empreendimento moldado por visão,
por risco e esperança.
Enquanto me qualificava,
você seguiu firme, era pilar,
a segurança que sustentava
nossa casa e esse novo voo.
Não foi fuga — foi coragem.
Não foi delírio — foi visão.
eu pulei no escuro
sabendo que você
mantinha a luz acesa em casa.
não mudei de profissão —
mudei de fôlego.
virei o olhar
pro que podia nos elevar.
investi tempo, estudo, energia
em algo novo, incerto, promissor —
em algo que não se toca,
mas que podia nos levar mais longe.
foi ousado.
foi bonito.
foi nosso.
e por algum tempo,
o mundo lá fora silenciou,
porque o que gritava era dentro —
um sonho sendo tecido
com as mãos e o coração.
Eu sei — e sempre saberei —
que ali houve verdade.
Que juntos, reinventamos
o que era possível.
Fomos abençoados.
fomos abrigo e impulso,
fé em forma de gesto,
cansaço e risco que valiam.
talvez a travessia tenha pedido
mais do que tínhamos nas mãos.
mas a coragem,
quando é partilhada,
vale mais do que qualquer garantia.
a energia que move a vida
não vem do que é garantido.
vem dos sonhos
que a gente ousa viver,
com o coração inteiro.